PANTÁCULOS

O NASCIMENTO DO PANTÁCULO

Desde o princípio da Humanidade que o homem se sente ligado por forças superiores. Rodeado de perigos e correndo riscos, teve a necessidade de captar as forças benéficas e de se proteger contra as ondas maléficas.

Quando os homens das cavernas começaram a desenhar os famosos bisontes das grutas pré-históricas de LASCAUX, ALTAMIRA, MONTIGNAC, etc., o que pretendiam não era tanto a criação de uma obra artísticas como a representação de um IDÉIA-FORÇA destinada a proporcionar frutuosas caçadas, incutindo aos caçadores a força dos bisontes. do mesmo modo, a flecha gravada na entrada da gruta deveria proteger os seus ocupantes dos inimigos e das forças do mal.

Passemos da Pré-História aos dias de hoje: quem é que não viu, pelo menos uma vez, um coração gravado numa árvore, atravessado por uma flecha, com iniciais entrelaçadas? Trata-se simplesmente de uma marca simbólica desenhada por dois namorados com o fim de transmitir ao seu amor a força, o crescimento e a duração da árvore.

Sem dúvida que os jovens nada sabem de pantáculos nem de ciências ocultas, nem das filosofias que nos precederam.

Claro que não! Apenas inventam e recriam intuitivamente um pantáculo benéfico ao seu amor pois que, seja qual for a origem, o país ou a religião, a FÉ nas virtudes misteriosas é natural e universal.

DEFINIÇÃO DO PANTÁCULO

O Pantáculo não é só um receptor e emissor de ondas e fluidos benéficos, como simultaneamente, um ISOLADOR contra as ondas maléficas.

A sua ação só se verifica havendo um objetivo que o justifique, servindo, portanto apenas para as boas ações e nunca para as más.

A ortografia e a definição geralmente dadas de PENTÁCULO, tendo por base a raiz PEN, que significa cinco, devem ser energeticamente contestadas. É mais que provável que a ortografia PANTÁCULO seja a que deve ser fixada, seguindo a origem grega PAN, PANTOS, que significa o TODO ou universal, e KLÉOS (ação gloriosa e benéfica), isto é, PANTA-KLÉA.

Há várias espécies de pantáculos:

EM PERGAMINHO - Neste caso, é levado ao peito, suspenso por um cordão ou fita de seda. A sua ação resulta de uma combinação de letras, signos, desenhos e fórmulas benéficas, específicas a um campo particular. É a representação gráfica simbólica de um voto ou de um desejo.

EM METAL - Deve ser afixado em casa. Ao poder benéfico das fórmulas gravadas soma-se a própria influência dos metais utilizados (conjunção química e comprimento de onda) de acordo com a finalidade pretendida.

Também há pantáculos gravados em madeira ou pedras preciosas (principalmente em jade), pintadas sobre seda, etc.

De acordo com o grafismo e afluxo sideral benéficos no momento em que é elaborado, o PANTÁCULO age não só sobre forças ainda desconhecidas como também sobre outras tão naturais como a auto-sugestão, o magnetismo, etc. Em resumo, age fortemente sobre o psiquismo individual.

AÇÃO E INFLUÊNCIA DO PANTÁCULO

Embora a ação e influência do pantáculo não tenham ainda sido cientificamente reconhecidas, a hipótese de base deve ser procurada no admirável tratado de um grande cientista: Des radiations cosmiques aux ondes humaines, pelo Dr. Albert Leprince, nas Edições Dangles (Paris).

ENERGIA

Um grande princípio domina o mundo físico e animal: o princípio da energia, da conservação e transformação da energia. Todas as transformações que se produzem na natureza ANIMADA ou INANIMADA, tanto no domínio moral como no físico, são manifestações de uma única força: "a energia".

RADIAÇÕES

"A metafísica também está compreendida nesta lei geral da indução... Radiações das coisas, radiações humanas, radiações cerebrais e ondas de pensamentos...

Inserir em seguida as diversas radiações nas modificações do estado normal do indivíduo constitui um novo passo para a unificação da metafísica geral, captando os sutis elos que integram e unem os corpos ao espírito, a matéria ao pensamento e o nosso Eu ao Universo".

O ponto de honra dos investigadores, sábios, médicos e filósofos do séc. XX está na pesquisa cuja resposta anulará os mistérios que nos rodeiam, em vez de os negar globalmente sob o pretexto de serem inexplicáveis.

Ainda é possível não admitir a existência de elementos como a influência dos planetas, os comprimentos de ondas ou o magnetismo, o psiquismo ou as ciências parapsíquicas e parapsicológicas (criação de um laboratório de telepatia no Departamento de Guerra E.U.A). A influência essencial do psiquismo sobre o comportamento moral e psíquico do indivíduo foi descoberta e reconhecida há menos de cem anos.

PROTEÇÃO PSÍQUICO-ESPIRITUAL

O PANTÁCULO não é um talismã, mas sim um obra intelctual, um trabalho do espírito.

O talismã (do grego "telema") é uma proteção utilizada em magia e destinada a um uso que poderia ser qualificado de "menor". Engloba objetos simples, tais como: amuletos, gri-gri, pós, objetos de forma invulgar, etc. Nele sobressai a superstição em detrimento da crença religiosa. A sua finalidade é a de proteger passivamente e, sobretudo, a de trazer a felicidade. Assim considerado, o talismã é, no entanto , condenado por quase todas as religiões.

O PANTÁCULO, pelo contrário, é um figura simbólica. É dado como "emissor fluídico" e é um verdadeiro utensílio de ação. A escolha da sua preciosa proteção, a composição dos seus motivos desenhados, esculpidos ou gravados, testemunham um elevado espírito de pesquisa, um desejo profundo de compreensão e de comunicação espiritual com o Espírito Criador, isto é, com Deus, seja qual for a religião considerada.

Enquanto o talismã apenas representa a concretização de um fato isolado ou ainda derivado de uma superstição popular, o PANTÁCULO, pelo seu lado, é um objeto querido, criado, estudado e concebido com um cuidado atento e um objetivo definido, uma vez que tudo nele (proteção, forma, posição, situação e número de signos) tem uma importância psicológica e espiritual simbólica, proveniente tanto de uma tradição religiosa como das observações inteligentes de conhecedores e sábios de diversos países e de diversas épocas.

Tudo isso se encontra descrito aliás admiravelmente, por M. Paul MASSON-OURSEL, (Diretor da Escola de altos Estudos) no seu prefácio à obra de J. Marquès-Rivière:

"O amuleto, o talismã, é a sorte, a felicidade ao alcance de todos. Tal adorno, tal imagem, tal divisa, eis o absoluto em comprimidos".

Pelo contrário:

"Os pantáculos são o absoluto refratado em alguns simples simbolismos: o resumo de um sistema - o sistema do mundo, cujo deciframento equivale à salvação. Noutros termos, o microcosmos, não encarnado num indivíduo humano mas esquematizado em fórmula, em gráfico. Um sistema de correspondência projeta o plano do universo, bem como os meios de libertação, neste plano de desenhista ou de arquiteto nesta pintura ou nesta jóia".

Nota-se ainda que o talismã reveste um aspecto "concreto" (varinha "mágica", pedaço de meteorito, prego de caixão, etc.) ao passo que o PANTÁCULO tem sempre uma forma "abstrata", artística mesmo (pintura, gravura, escultura) geralmente.

INFLUÊNCIA DOS PLANETAS

Como poderia o Sol deixar de influenciar os indivíduos, quando ele é a vida e sem ele a terra seria um astro morto?

Quem pensaria em negar a influência da Lua sobre o homem, quando ela faz movimentar milhares de metros cúbicos de água no nosso globo, comandando duas vezes por dia o fluxo e o refluxo das marés?

Todas as pessoas já notaram, forçosamente, pelo menos num momento da sua vida, a influência do Sol no comportamento do seu caráter: um tempo cinzento, desagradável, sombrio e o nosso humor é igualmente cinzento, desagradável e sombrio; um raio de sol que aparece e ei-lo alegre, contente por viver, por respirar o ar purificado pelos raios desse astro maravilhoso.

É precisamente por isso que os planetas, ou, melhor, as suas representações são muitas vezes utilizadas na elaboração dos PANTÁCULOS, por todas as tradições. Convém frisar que todas as civilizações importantes estudaram astronomia e se debruçaram sobre os problemas da influência dos astros na Terra, arte batizada de "Astrologia".

RADIESTESIA PANTACULAR

Sob o plano experimental, Chaumery e Belizal, no sei "Tratado de Radiestesia Vibratória", assinalam que as formas têm, por próprias, emissões específicas. Tal forma traçada no papel dá ao indivíduo que possua o sexto sentido, uma impressão particular, diferente daquela que é dada, nas mesmas condições, por qualquer outra figura. Retenhamos apenas a virtude fluídica específica das formas, e perguntemo-nos se não haverá alguma relação entre este fato e a sua virtude prática utilizada nos PANTÁCULOS.

Benjamin Manassé escreveu:

"Uma vez que as virtudes de certas plantas, de certos atos e de certos sinais lhe parecem indicados para o proteger, por que é que (o homem) não haveria de se servir deles?"

"Para lutar contra o que o domina, o homem interessa-se pelo sobrenatural e solicita-lhe proteção".

"O PANTÁCULO é uma espécie de oração concretizada por um objeto, por um desenho, por uma gravura..."

"É preciso saber servir-se dos utensílios que a Natureza nos dá e que são utilizados por povos inteiros desde há milênios".

Continuando o tema da radiestesia, devo notar que as experiências realizadas com o pêndulo sobre os pantáculos deram resultados particularmente interessantes.

Permitam-me sublinhar aqui, para os leitores radietesistas interessados, o sistema de trabalho que adotei para estudar os efeitos do PANTÁCULO sobre os homens:

Primeiramente reuni as fotografias de várias pessoas conhecidas cujos problemas pessoais me eram familiares.

Para evitar qualquer influência de auto-sugestão, nociva ao bom andamento das operações, cada fotografia foi selada num envelope opaco. Com o meu pêndulo, procurei para cada indivíduo (então anônimo) o pantáculo que melhor lhe conviesse. Cada envelope, dotado de um pantáculo para o exame radiestésico, foi então aberto para estudar a relação entre a pessoa representada e o efeito do PANTÁCULO. Fui forçado a concluir que cada pantáculo atribuído era, de fato, aquele que convinha ao indivíduo em causa, tomando em conta os problemas que tinha a resolver. Foi, em grande parte, esta experiência conclusiva que me incitou a prosseguir e a aprofundar as pesquisas sobre os efeitos e a potência do PANTÁCULO.

Experiência complementar: estudando com o pêndulo a vitalidade de cada indivíduo, obtinha imediatamente, desde que o pantáculo fosse colocado sobre a fotografia-testemunha, um amplo movimento giratório. Todos os leitores radiestesistas poderão fazer esta interessante experiência, aliás já salientada por H. Mellin.

HISTORIANDO O PANTÁCULO

"O Egito desempenhou um papel primordial na ciência pantacular. Com os símbolos escritos sobre pedra, a sua teologia oculta, a sua organização sacerdotal, o Egito - o país mais rico em conhecimento secreto - foi o eixo à volta do qual evoluíram as mais nobres tradições da Humanidade". H. Mellin.

Os sacerdotes e os iniciados usavam constantemente um pantáculo em pergaminho.

O Peitoral das múmias egípcias não é mais do que um complexo pantáculo cuja descrição, muito pormenorizada, se encontra na Bíblia.

A esfinge ou a cabeça de esfinge que se encontra diante das pirâmides ou no frontispício dos templos, monumentos e casas dessa época, era o símbolo de proteção.

A ciência pantacular hebraica é muito importante: sintetiza os conhecimentos nesta matéria adquiridos nesse época pelas tradições egípcias e orientais, adapta-se à sua própria utilização e transmite-os a todas as civilizações mediterrâneas, particularmente ao Cristianismo e ao Islamismo. Os Filactérios utilizados pelos Hebreus aproximam-se dos pantáculos e são descritos minuciosamente no Antigo Testamento (Êxodo XIII, 1/10-Êxodo XII, 11/16 - Deuteronômio VI, 4/9 e XI, 13/21).

As civilizações seguintes (grega e latina) desenvolveram a utilização do PANTÁCULO. Os cristãos modificaram o pantáculo desde o princípio da sua religião, substituindo as fórmulas habituais por frases do Evangelho escritas em pergaminho.

No extremo-Oriente, o PANTÁCULO tem também todas as honras desde há milênios.

As forças do MAL eram representadas sob a forma de demônios horríveis. É por esta razão que muitas casas chineses têm, à entrada, um espelho inclinado de uma forma tal que, se os demônios do mal quiserem entra, vêem a sua imagem horrível refletida e fogem aterrorizados.

A China também utilizava pantáculos clássicos mas em que o espírito geral estava orientado para o seu profundo conhecimento da astrologia. Os pantáculos chineses eram, pois, concebidos em função dos significados e influências planetárias. Uma particularidade da ciência pantacular chinesa foi a de utlizar, como base de certos pantáculos, uma matéria preciosa: o jade, que era esculpido ou gravado. Certas casas chinesas estão igualmente protegidas por sinais pintados nas traves principais ou nas portas de entrada. Neste caso particular, trata-se de pantáculos protetores da família. As casas japonesas, pelo seu lado, são protegidas quer por pantáculos em seda de 3, 7 ou 9 seções, quer por pantáculos em madeiras preciosas, cujos grafismos são executados sobre seda.

A ciência pantacular do Sul da Ásia (Indochina, Tibet, Laos, etc.) foi influenciada pela Índia. M. J. Marquès-Rivière reproduz no sei livro Amulettes, Talismans et Pantacles, na página 221, o pantáculo nacional protetor do Laos; pantáculo especialmente complicado que encontrava no altar de Wat-Xieng-Dong, um dos pagodes mais antigos de Luang-Prabang. Este mesmo autor nos dá a descrição pormenorizada do ritual muito rigoroso seguido pelos indochineses para a elaboração dos pantáculos. O Tigre foi muitas vezes reproduzido nestes pantáculos pois encarnava a potência oculta da Indochina. Os pantáculos tibetanos são constituídos por uma curiosa mistura de pantáculos hindus e chineses.

Mesmo a longínqua América utilizou os Pantáculos. Países como o México, a Nicarágua, etc., povos como os Mais, os Toltecas, os Tezcuanos, os Aztecas, etc., utilzavam pantáculos para se protegerem, principalmente antes da descoberta da América por Cristóvão Colombo. E pode-se crer que certos pantáculos eram eficazes contra os invasores, pois os primeiros visitantes desembarcados na América descreveram com um profundo horror os efeitos verificados nos Índios protegidos por pantáculos, Índios esses que não conseguiram derrotar.

Atravessando os séculos, o PANTÁCULO conservou sempre as suas virtudes misteriosas. Homens tão célebres como Apolônio, Virgílio ou S. Tomás utilizavam o seu misterioso poder benéfico.

Mais perto de nós, uma mulher célebre, Catarina de Médicis, era protegida por um pantáculo consagrado a Vênus, fabricado por um matemático (Sire Régnier) que era da sua maior confiança. Deve-se notar que a Princesa viveu até aos setenta anos, idade muito avançada para a época, pois que a média das idades era bastante baixa.

SALOMÃO, REI DA SABEDORIA

Salomão foi, incontestavelmente, o maior criador de pantáculos. Não se pode escrever uma obra sobre pantáculos sem consagrar um capítulo àquele que foi considerado o Sábio dos Sábios.

Quem era SALOMÃO?

Diz-nos a Bíblia (I Reis, V, 9 e seguintes):

"Deus deu a Salomão uma ciência e uma sabedoria extraordinária... A sabedoria de Salomão ultrapassou a sabedoria de todos os filhos do Oriente e toda a sabedoria do Egito... De todas as partes chegavam para ouvir a sabedoria de Salomão..."

O dicionário Pratique Quillet:

"Salomão (séc. X a.C) filho de David e de Bethsaba, rei de Israel. Grande organizador, consolidou o Reino de David, construiu o Templo e o Palácio de Jerusalém...Salomão gozou, desde a antiguidade, de uma grande reputação de sabedoria".

Uma das suas obras mais célebres "As Clavículas de Salomão", chegou-nos depois de várias transcrições e certamente alterada, uma vez que nesta época a única maneira de difusão era a cópia manuscrita. Uma destas cópias encontra-se na Biblioteca do Arsenal. Também chegou até nós um pantáculo de Salomão, particularmente apreciado; encontra-se preciosamente guardado no British Museum de Londres.

A EVOLUÇÃO GEOGRÁFICA DO PANTÁCULO

Se tivéssemos de enunciar ops países onde se utiliza o pantáculo, bastar-nos-ia apenas recopiar um atlas geográfico.

Sabe-se, com efeito, que o PANTÁCULO é um proteção psíquica, religiosa ou não, que foi instintivamente utilizada pela elite (poder-se-ía dizer "pelas pessoas mais evoluídas") de cada povo, desde o homem das cavernas.

Se se deseja situar geograficamente a evolução do pantáculo, é, certamente, preferível esquematizar as regiões do globo onde o PANTÁCULO foi um dos meios psíquicos mais dignos de honra:

ÁSIA
China, Japão, Índia, Indochina, Laos, Irã e Sibéria
AMÉRICA
do Norte (Índios) e do Sul (tribo do Norte mexicanas)
ÁFRICA
Palestina, Egito, Arábia, Caldeia e Assíria
EUROPA
Influência turca: Turquia, Romênia e Iugoslávia
Influência grega: Grécia, Creta e Sicília
Influência romana: Itália, Grã-bretanha, Espanha e Portugal
Influência franca: França, Holanda, Alemanha, Bélgica, Checoslováquia, Áustria e Suíça

O PANTÁCULO E A RELIGIÃO

Por vezes, deseja-se saber se a utilização dos PANTÁCULOS é compatível com a prática de uma religião, os cultos cristãos e israelitas, principalmente.

Não há nenhuma incompatibilidade, antes pelo contrário.

Os primeiros cristãos, como já vimos, utilizavam em forma de pantáculos extraídos da Bíblia, copiados sobre pergaminho. Era uma transposição dos PANTÁCULOS hebraicos para as necessidades da causa desta nova religião que surgia. Mais tarde, os cristãos reconheceram e aceitaram como válidos os pantáculos hebraicos que utilizaram, juntamente com os novos pantáculos católicos.

O mais célebre cristão criados de PANTÁCULOS, foi um dos Papas mais venerado: S. Leão III (750-816), que coroou o Imperador Carlos Magno no ano 810 e lhe indicou o seu célebre Livro de Orações, segredos e Pantáculos, impresso sob o título de "ENCHIRIDION, por Sua Santidade o Papa Leão III". Neste manual reeditado em 1959 pelo editor especialista Henri Durville, segundo uma edição de Roma em 1740, encontram-se além das famosas orações do Santo Padre, PANTÁCULOS de origem cristã e de origem hebraica. A explicação simbólica pormenorizada destes últimos corresponde, aliás, exatamente à dada pelos mais variados especialistas, o que mostra o interesse profundo do Papa Leão III pelos PANTÁCULOS, tanto no que respeita o seu significado como no que concerne à sua utilização.

Sabe-se que cristãos, célebres pela sua piedade, utilizavam os PANTÁCULOS. É o caso do Apóstolo S. Tomé, de Sta. Cecília e do Papa S. Gregório, o Grande, a quem se deve o rito gregoriano. É também o caso de muitos outros cristãos, pois que o "Agnus Dei" é uma das formas transpostas do PANTÁCULO cristão.

Quanto ao culto israelita, não pode renegar a utilização do PANTÁCULO, uma vez que foi o mais importante difusor desta proteção psíquico-espiritual, de tal forma venerada na tradição hebraica que a passou do oriente para o ocidente.

A EFICÁCIA DO PANTÁCULO

É evidente que se a ajuda trazida pelos PANTÁCULOS aos seus possuidores não fosse mais que uma ilusão, já há muitos séculos que eles teriam desaparecido com as civilizações que estiveram na origem da sua criação. Ora, não é isso o que se passa... M. J. Marquès-Rivière, membro da Sociedade Asiática, sublinhou, aliás, esta conclusão dizendo que a existência do pantáculo "põe uma série de problemas, dos quais o menos não é certamente o da eficácia do rito pantacular. O homem, por muito crédulo que seja, é mais desconfiado do que o que se possa pensar; apenas subsiste o que comprovou como verdadeiro, ele ou os seus antecessores. Admite o mito religioso e as condições metafísicas, mas quer resultado..." Como vimos no capítulo "Historiando o Pantáculo", o homem fez longas experiências através dos séculos, a cerca da eficácia do PANTÁCULO.

A nossa civilização, dita "ultra-moderna" é a dos transportes comuns a reação nuclear, dos veículos interplanetários, e, mais materialmente, da máquina de lavar e do automatismo integral, tanto no domínio doméstico como no da indústria. Impedirá isso a prática das várias religiões? A crença nas diversas ciências ditas "ocultas"? A prática de artes novas que procuram a sua vida científica, tais como a radiestesia e a homeopatia? Claro que não; diria mesmo, "pelo contrário". Por que no nosso século de modernização prática, de materialização e de automatização extremas, o homem tem, mais que nunca, a necessidade de um derivado espiritual, de um meio para desenvolver as suas faculdades psíquicas, de uma fórmula que lhe permita manter os seus debates interiores> morais e espirituais, num plano tanto mais elevado quanto a instrução geral dos povos também se torna mais elevada.

Possuís pois, todos os elementos essenciais respeitantes ao PANTÁCULO e à sua utilização através dos tempos. Em conclusão, é a vós que cabe decidir qual o grau de confiança que se pode ter na eficácia do PANTÁCULO.

A CONCEPÇÃO DOS PANTÁCULOS

Numerosas obras tratam da forma e das diferentes regras que há a respeitar na elaboração dos PANTÁCULOS. Mas torna-se necessário frisar, mais uma vez, a diferença existente entre um PANTÁCULO e um talismã. Este último, relacionando-se com a magia, tem que ser confeccionado por certas pessoas, a certas horas de certos dias e em certos locais.

Para os PANTÁCULOS, um única regra preside à sua elaboração e ao seu desenho; não podem ser feitos, criados ou redesenhados senão por "iniciados", isto é, não "feiticeiros", mas cientistas, conhecedores dos significados esotéricos, particularmente em tudo o que se refere à religião hebraica, charneira da ciência pantacular.

As formas e as letras podem ser agrupadas, pois são filhas de uma mesma origem: a escritura cuneiforme e hieroglífica, representações de imagem em três dimensões ou de ideogramas por meio de sinais simplificados e simbólicos.

As tradições esotéricas consideram que há vinte e duas letras cujos nome e formas variam segundo se trate de escrita talmúdica, hebraica, cabalística, dos Templários, egípcia, chinesa, etc.

Os nomes variam também no seu significado, segundo as diferentes tradições pantaculares, mas muito mais no pormenor do que na base que permanece idêntica. O Dr. Paul CARTON escreveu:

"Os números são os símbolos da criação hierarquizada na escala dos seres. O número um é o símbolo da Força original criadora, diretiva e unitiva. Dois, é o equilíbrio das forças contrárias que agem e reagem ritmando-se. Três, é a criação; é a geração de uma trindade de forças que constitui apelas um conjunto. Quatro, é a primeira construção individual dos elementos dos temperamentos, das formas. Cinco, é a vontade de execução no homem pela cabeça que dirige os quatro membros. Seis, é a sabedoria, a realização embaixo do pensamento trinário que está no alto. Sete, é a escala dos elementos da constituição e da evolução individual, etc."

A tradição hebraica estabelece um estreita relação entre as letras e vinte e dois números: 1 a 10, 20 a 100, depois 200, 300 e 400.

ALGUNS PANTÁCULOS E SEUS SIGNIFICADOS

AMOR - AMIZADE - SIMPATIA

Você tem necessidade amor. Deve estar rodeado de amizade e de simpatia. Com este pantáculo você vai irradiar uma simpatia irresistível que atrairá esse amor e essa amizade que são a base da verdadeira felicidade.

SORTE

Você conhece esses dias terríveis em que nada corre bem, esses períodos em que parece que o azar o persegue. Suprimi-los-á radicalmente usando este pantáculo, criado para atrair os influxos benéficos da sorte e afastar as ondas maléficas de má sorte.

SUPRIMIR OBSTÁCULOS

Quando verificar que se lhe apresenta um obstáculo na sua vida corrente (promoção, negociações administrativas ou qualquer outro) use imediatamente este pantáculo. Verá então diminuir as dificuldades, desaparecer os obstáculos, desmoronar as barreiras.

DESENVOLVER AS SUAS FACULDADES PSÍQUICAS E INTELECTUAIS

A Natureza dotou-nos a todos de um cérebro similar, mas a maior parte de nós não explora suficientemente as suas faculdades intelectuais. Este pantáculo despertará e estimulará esta inteligência, esta memória, esta potência cerebral de que necessita. Este pantáculo convém principalmente às crianças em idade escolar e aos estudantes.

AMBIÇÃO - SUCESSO

Você quer singrar. Quer concretizar as suas aspirações e tem toda a razão pois "progredir" é a própria base da condição humana. Este pantáculo traz-lhe um brilhante triunfo e um destino glorioso. Ajudá-lo-á a realizar plenamente as suas legítimas aspirações.

FORTUNA

Este pantáculo simboliza a fortuna, as entradas de dinheiro e o honesto aumento de lucro. Foi criado tanto para proteger dos perigos financeiros como para permitir um melhoramento das condições materiais.

SUCESSO COMERCIAL E INDUSTRIAL

Como o pantáculo anterior, este pantáculo é o do sucesso material e financeiro. Destina-se especificamente aos artesãos, comerciantes e industriais; em resumo, a todos aqueles cuja atividade se encontra ligada à produção e ao movimento comercial.

SAÚDE

Este pantáculo é a reprodução do verdadeiro pantáculo de Marte, que é considerado o elemento protetor da saúde. Foi concebido para prever e agir contra qualquer doença. O seu objetivo é o de recriar o equilíbrio das forças atrativas e passivas do corpo humano, momentaneamente perturbadas pela doença. Não substitui as visitas médicas nem a utilização dos medicamentos mas fortalece a ação destes últimos.

HARMONIA CONJUGAL

Este pantáculo reúne as forças benéficas tanto masculinas como femininas que formam a harmonia ideal do casal. Deverá ser usado por todos aqueles que têm as suas principais dificuldades na vida conjugal, bem como nos planos afetivo e sexual. É reforçado por um símbolo potente de fecundidade.

ACIDENTES

A vida moderna expõe-nos cada vez mais a um número sempre maior de riscos de acidentes. Este pantáculo protegê-lo-á contra os inúmeros perigos que o espreitam em terra, água e ar. Deverá ser utilizado sempre que viaje.

ALEGRIA DE VIVER

A ansiedade, a angústia, a neurastenia, a depressão são, infelizmente, calamidades do nosso século. Este pantáculo é um escudo potente contra as correntes psíquicas deprimentes. Reencontrará a sua alegria de viver, conservará a sua alegria e o sei dinamismo se o usar.

DESENCANTAMENTO

Este pantáculo destina-se especialmente àqueles que têm razões para crer que são objeto de manobras nocivas por parte de pessoas mal intencionadas. Garante uma ação contra os feitiços de todo o gênero. Neutraliza a seu favor aqueles que lhe querem fazer mal.

PANTÁCULO UNIVERSAL

Este pantáculo não se destina a ser usado; deve ser colocado na parede da sala onde se encontre mais freqüentemente, em geral o quarto.

O grafismo deste pantáculo reúne todos os elementos benéficos de base atribuídos aos 7 planetas:

SATURNO - MARTE - SOL - VÊNUS - MERCÚRIO - LUA - JÚPITER

O pantáculo universal é o elemento permanente de proteção a si próprio e a tudo que se relaciona com a sua personalidade. Assim, reforçará a eficácia do PANTÁCULO em pergaminho que escolheu usar. Influenciará, ainda, favoravelmente a recarga do seu potencial vital, protegendo o seu sono noturno.

Texto do livro Os 13 Pantáculos da Felicidade - Kersaint - Edições 70