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O que é necessário para um desenvolvimento infantil adequado?

Os termos criança e infância, por serem construções sociais, sofreram transformações ao longo do tempo, em que na Idade Média, por exemplo, as crianças e os adultos, vivenciavam os mesmos afazeres domésticos e de trabalho, não havendo uma representação sobre o que era a infância e qual seria o papel e lugar desse indivíduo na sociedade.⁠

A primeira infância é o período que vai do nascimento aos 6 anos de idade da criança, sendo um momento em que se requer atenção, uma vez que as experiências e vivências ocorridas durante este período poderão influenciar o indivíduo por toda sua vida. A criança sofre grande influência do meio em que vive e, a partir das interações com o meio e com aqueles que convive, se desenvolve nos aspectos cognitivo, social e emocional:


- O desenvolvimento cognitivo se refere à capacidade de perceber aspectos sensoriais dos objetos (cor, forma, temperatura) e de aprender sobre os efeitos de suas ações (empurrar, esconder, etc) e aprimorá-las;


- O desenvolvimento social se refere à interação com o outro;


- O desenvolvimento emocional se refere a formas de lidar com sentimentos, necessidade de ficar sozinha, ser mais contida ou extrovertida, como lida com sofrimento.


Para que a criança se desenvolva de forma integral, ela precisa de um ambiente seguro e ser estimulada por meio do lúdico, uma vez que ela aprende através das suas experimentações e brincadeiras. Tendemos a achar que estimular uma criança é uma coisa muito complicada, e isso porque normalmente a consideramos como um ser passivo no processo. No entanto, se pararmos para observar, notaremos que a criança, mesmo muito pequena, já se comunica, “diz” se está gostando ou não, se quer mais ou não, etc.


É importante que estejamos abertos e atentos à comunicação de cada criança (que é única para cada uma delas) e considerá-la como um sujeito ativo do seu desenvolvimento, sendo capaz de se expressar, interagir e brincar, tanto como iniciativa própria, como em resposta à um estímulo externo. Quando nos abrimos para essa comunicação, favorecemos à criação de um vínculo, o que é essencial para que a criança se sinta segura e consiga se expressar e favorecemos assim, um bom desenvolvimento.


Para que uma criança se desenvolva adequadamente nos campos afetivo e emocional, é necessário que ela tenha cuidadores que nutram suas necessidades emocionais, para que assim, possam ter um inserção social ajustada e criativa, e se desenvolver no campo motor, linguístico e físico.⁠

Além disso, para auxiliar neste processo de desenvolvimento emocional e social, é necessário também um conjunto de aprendizagens informais, que aprendemos em casa, e formais, que aprendemos na escola.⁠

Se a criança, de forma saudável, tiver um bom desenvolvimento emocional e uma nutrição psicológica, ou seja, se for nutrida afetivamente de boas relações e interações, ela irá, consequentemente, ter uma consolidação forte, saudável, bem estabelecida, com auto-estima e com uma imagem corporal e identidade definidas.⁠


Neste contexto e a partir destas reflexões, compreendemos e valorizamos as crianças como sujeitos de responsabilidades e deveres, com voz e protagonismo sobre a própria história, e que precisam da garantia de direitos, como moradia, lazer, educação, saúde, alimentação, liberdade e segurança, além de proteção à violência, à negligência, à discriminação racial, de gênero e religiosa.


Como disse Eliza Brazil Protasio (2017): “Essa perspectiva muda a concepção restrita que considera as crianças como “potes vazios”, sem opinião, ideias ou vontade própria, que precisam ser preenchidos e aguardar o momento de “ser grande”, para num futuro distante se tornarem “alguém” e, só então, poderem participar ativamente dos espaços de escuta e participação da sociedade em que vivem. Incluir a participação de crianças é percebê-las como sujeitos históricos, com seus saberes, competentes, curiosas e criativas, capazes de agir no momento presente de suas vidas” ⁠




No entanto, quantas crianças têm acesso à uma infância digna e saudável? Os desafios para a implementação de uma política consistente para o público infantil e jovem são muitos, uma vez que essa faixa etária ainda tem pouquíssimo espaço de atenção e protagonismo na atenção à sua saúde. ⁠




Referências:

PIMENTEL, Adelma. Nutrição Psicológica e Desenvolvimento emocional infantil. 2005. Editora Summus Editorial

PROTASIO, Elisa Brazil. Da escuta à participação infantil: o olhar da criança e seu potencial transformador do cotidiano. Trabalho de Conclusão de Curso de Curso de Especialização. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. 2017


Créditos das Imagens:

Imagens adaptadas do Freepik.











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