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O que são transtornos alimentares e quais são suas características?

Atualizado: há 6 dias




Os transtornos alimentares (TA) são transtornos mentais caracterizados por alterações persistentes no comportamento alimentar, disfunções no controle de peso e na percepção da imagem corporal, resultando em sofrimento psíquico, prejuízos na saúde física e nos vínculos sociais. Existem vários transtornos alimentares, dentre eles a Anorexia, Bulimia, Transtorno de Compulsão Alimentar, Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo, Transtorno de Ruminação e Pica.


Seu desenvolvimento pode ser influenciado por aspectos sociais, biológicos, psicológicos e ambientais, tais como preocupações com o peso e a imagem corporal, cobranças da sociedade por um padrão estético, fatores genéticos, individuais e familiares, realização de dietas restritivas e histórico familiar de transtornos alimentares.Existem alguns sinais de alerta que podem indicar que uma pessoa pode estar apresentando sofrimento em relação o corpo e a comida e, talvez, um quadro de TA:


- evitar momentos de socialização que envolvam comida;

- necessidade de ir ao banheiro após as refeições;

- se preocupar demais com o que vai comer, com o peso corporal e/ou formato do corpo;

- excesso de exercícios físicos, uso de laxantes ou provocação de vômitos;

- variações de humor;

- queixas de desconforto gastrointestinal, de frio, tontura e cansaço;

- se alimentar de forma restritiva e ter necessidade de controlar a rotina alimentar;

- perda de peso ou peso e altura corporais que não correspondem ao esperado para um desenvolvimento saudável (no caso de crianças e adolescentes);

- alterações no ciclo menstrual.



É importante destacar que os TA levam a um intenso sofrimento mental ao sujeito, não são auto provocados e necessitam de tratamento com uma equipe interdisciplinar capacitada para lidar com este tipo de questão.


Vamos entender um pouquinho mais sobre os fatores de risco dos transtornos alimentares (TA)? Ao ampliarmos o nosso olhar e a nossa compreensão para um TA, é fundamental levarmos em consideração os fatores de risco que podem tornar um indivíduo mais vulnerável a desenvolvê-los, dentre eles gênero; etnia; preocupações com o peso e o corpo; histórico de abuso sexual; personalidade perfeccionista; presença de ansiedade, baixa auto estima e auto avaliação negativa; comorbidades psiquiátricas; dificuldades alimentares na infância; histórico familiar de TA, depressão e abuso de álcool e/ou outras drogas; vivência de bullying e/ou racismo na infância; profissões como modelos, dançarinos, atletas, e influencers das redes sociais.


A mortalidade dos transtornos alimentares é alta se considerarmos as complicações clínicas e orgânicas, além da maior susceptibilidade ao suicídio. Isso mostra a urgência em nos atentarmos mais à esse tipo de sofrimento, ampliar o cuidado, desmistificar questões relacionadas a estes transtornos e aprimorarmos nossa abordagem, de maneira que ela se dê de forma transdisciplinar e biopsicossocial. Estes transtornos mentais são graves e precisamos falar mais sobre isso!


Além disso, é comum pensar em adolescentes e jovens adultos quando se fala em transtornos alimentares (TA), mas a verdade é que crianças cada vez mais novas, vêm apresentando preocupações exacerbadas em relação a comida e ao corpo e, ainda pequenas, podem sofrer destes transtornos, sendo os mais comuns nessa faixa etária a Anorexia, Pica e Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo (TARE). Além disso, tem sido observado um aumento nas taxas de TA entre meninos e meninas menores de 12 anos, no entanto, a forma com que estes transtornos acontecem em crianças é um pouco diferente do observado em adultos ou mesmo em adolescentes.


Por isso, é importante que os pais, familiares e todos aqueles que convivem com as crianças, fiquem atentos aos sinais destes transtornos e de algumas situações que podem nos alertar quanto à presença de uma relação disfuncional com o corpo e a comida, ou até, a presença de um transtorno alimentar propriamente dito nas crianças, tais como:


- negar aos responsáveis que está realizando uma restrição alimentar;

- se recusar a comer argumentando que sente dor na barriga, está cheio ou não consegue engolir sem outro fator orgânico que justifique ;

- padrão alimentar altamente seletivo;

- medo de experimentar alimentos novos ou de passar mal ao comer um alimento;

- hipersensibilidade à textura, sabor ou aparência de um alimento;

- falta de interesse em se alimentar ou pouco apetite;

- isolamento social;

- alterações de humor;

- cansaço e dificuldade de concentração.



Estratégias como deixar a criança sem comer “porque aí ela vai sentir fome”, usar chantagem emocional, deixar de castigo ou obrigar a comer não funcionam e podem gerar mais sofrimento e uma aversão ainda maior à comida. Recomenda-se procurar ajuda profissional com equipe interdisciplinar. Precisamos valorizar e dar mais espaço ao sofrimento de uma criança!


Considerando que os Transtornos Alimentares (TA) são influenciados por questões biológicas, emocionais e sociais, os mesmos impactam na forma com que o indivíduo se alimenta e percebe seu corpo. Deste modo, quando falamos em prevenção, é necessário pensar em ações sistemáticas direcionadas aos diversos fatores que podem desencadear, ou até mesmo manter este transtorno.


Uma vez que nos TAs existem uma grande insatisfação corporal e, em alguns casos, alteração na forma com que se percebe o corpo, são necessárias ações que visem a redução da insatisfação corporal, sendo fundamental repensarmos a forma com que a sociedade tende a atribuir valor às pessoas.


É muito comum ouvirmos frases como “Nossa, como você está magra!”, como se magra fosse sinônimo de beleza ou felicidade. O oposto também acontece com colocações que estigmatizam o corpo gordo, atribuindo ao mesmo características como preguiçoso, burro, sem força de vontade, sem higiene, etc.


Ao fazer isso, estamos reforçando o padrão de beleza propagado pelas mídias e vinculando o valor das pessoas à forma corporal e aparência e, consequentemente, colaborando com a insatisfação corporal. Precisamos parar de falar do corpo das pessoas (e também do nosso) de maneira depreciativa e apreciar todas as coisas boas que ele nos proporciona fazer.


Também são necessárias ações que tenham como objetivo a conscientização dos malefícios de se fazer dietas da moda, e da importância de se alimentar respeitando os sinais internos de de fome e saciedade, hábitos alimentares e a cultura alimentar.


Até o momento, trouxemos alguns sinais que podem nos indicar a presença de um sofrimento com o corpo e a comida, ou até mesmo, a presença de um transtorno alimentar. Mas o que fazer caso você identifique esses sinais em alguém?


É comum não saber o que fazer caso perceba que alguém próximo está precisando de ajuda. Ainda mais porque quem tem um TA geralmente nega o sofrimento, ou ainda, não percebe de forma mais ampla, os sérios prejuízos que aquele distúrbio está causando.


Primeiramente, é importante não culpabilizarmos o indivíduo que desenvolve um TA, pois isso só irá gerar um distanciamento, impedindo que você aborde essa questão de forma gentil e acolhedora. Também é essencial que os responsáveis não se culpem e compreendam que este transtorno é multifatorial e que, acima de tudo, são uma parte fundamental para o tratamento e recuperação do seu filho(a). É recomendado buscar atendimento o mais rápido possível uma vez que uma intervenção precoce poderá aumentar as chances de uma recuperação mais sustentável.


E o que eu posso fazer caso apresente sinais de um TA? Caso perceba que você pode ter um TA, é importante lembrar que você não tem culpa e que precisa de ajuda. Por mais difícil que possa ser, compartilhe o que está vivendo com alguém em quem confia e busque atendimento médico ou psicológico. Caso seja confirmado, você deverá ser encaminhado para atendimento por uma equipe interdisciplinar.



Referências:

Site: Beat Eating Disorders. Tips for Supporting Somebody with an Eating Disorder.

Site: NHS. Eating Disorders










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