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Por que muitas pessoas ainda fazem dietas?

Você já reparou que ninguém está satisfeito com o corpo que tem? Precisamos começar a nos questionar um pouco mais sobre o porquê disso...⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

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São muitas as promessas de receitas “mágicas” para perder peso e conquistar um padrão de beleza considerado ideal, muitas vezes, sob um falso discurso de melhora na saúde e na qualidade de vida. Mas será mesmo que essas restrições alimentares têm mesmo a capacidade de fazer isso?⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

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Existe um padrão de beleza divulgado pela sociedade (geralmente um corpo magro e musculoso), por meio da mídia e das redes sociais. Porém, somente de 1 a 5% da população mundial tem um biotipo semelhante à esses corpos divulgados e propagados… O restante da população nunca vai conseguir atingir esse padrão, o que faz com que tenhamos altos níveis de insatisfação corporal. E é essa nossa insatisfação corporal que alimenta um mercado multimilionário de dietas, suplementos, cirurgias e procedimentos estéticos.⠀⠀⠀



Quem nunca ouviu falar das dietas dukan, dos pontos, paleo, detox, low carb, low fat e jejum intermitente, que atire a primeira pedra! No atual contexto de pandemia, devido ao comer emocional e à dificuldade de frequentar academias (como já foi discutido um pouquinho nos posts anteriores), tem sido muito frequente que as pessoas busquem cada vez mais fazer uma dieta para perder o peso que está sendo ganho neste momento.


Além disso, quando pensamos “eu quero emagrecer”, a primeira solução que vem a cabeça é “vou fazer uma dieta”, certo? Porém, fazer dieta pode nos fazer engordar a longo prazo, ao invés de emagrecer. ⁠

É natural termos a impressão de que fazer dieta é ‘A’ solução. Isso porque, em geral, as primeiras dietas com restrição de calorias levam à redução do peso corporal. No entanto, mais frequente do que é falado, ocorre um reganho, às vezes até maior, do peso perdido. Além disso, é comum o relato de que a cada dieta, torna-se mais e mais difícil perder peso, mesmo que a restrição seja maior!


E sobre as dietas pós parto? Já ouviram falar? Na internet existem várias formas de uma mãe, às vezes no dia seguinte após o parto, realizar uma restrição para poder perder vários quilos e atingir um padrão de corpo magro e esbelto. ⁠


Uma vez que a nossa sociedade estabelece, por meio de convenções culturais, um corpo idealizado (magro e musculoso), produz-se um controle sobre o corpo da mulher e retira o protagonismo, o poder e a autonomia da mulher acerca de sua própria saúde. Esse mesmo controle do corpo feminino impede, muitas vezes, que a mulher vivencie a maternidade de forma plena e satisfatória e estabeleça um bom vínculo com o seu filho. Assim, produz-se mais uma relação de violência contra a mulher. ⁠

A alimentação é uma das relações mais primordiais entre a mãe e filho e não está relacionada somente à uma ingestão de nutrientes e oferta de comida, mas também à oferta de subjetividades e singularidades, com a reunião de aspectos afetivos e emocionais. Assim, a mentalidade de dieta, como já é internalizada, é transmitida para a criança desde que ela nasce. E assim, a mentalidade de dieta, que está relacionada à essa experiência coletiva de intenso mal estar na relação com o corpo e alimentação, por ser produzida socialmente, já está internalizada, sendo inclusive transmitida pela mãe nos cuidados ao seu bebê. ⁠

Assim, quais são os efeitos que as dietas podem provocar no nosso corpo?


- Diminuição do metabolismo energético;

- Efeito sanfona e distúrbios neuroendócrinos;

- Aumento de comportamentos depressivos e do estresse;

- Promovem obsessão por comida e desencadeiam episódios de compulsão alimentar;

- Não são sustentáveis a longo prazo, e em curto prazo geram muito sofrimento psíquico;

- Nos levam a ignorar os sinais de fome e saciedade;

- Não promovem autonomia e não respeitam a nossa liberdade e singularidade;

- Contribuem para o aumento do estigma da obesidade, da culpabilização das pessoas e do terrorismo nutricional;

- Desconsideram todos os fatores que estão relacionados ao nosso comportamento alimentar, como os fatores psicológicos, econômicos, culturais e sociais;

- Podem promover o comer transtornado e são fatores de risco para o desenvolvimento de transtornos alimentares.



Talvez seja a hora de pensar em uma outra maneira de lidar com a comida e com o corpo! Não é à toa que Naomi Wolf, em seu livro " O mito da beleza”, já nos fazia refletir:⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

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“Durante a última década as mulheres conquistaram posições importantes na sociedade, tanto em termos legais como profissionais. Paralelamente a essa escalada de poder, porém, aumentaram os distúrbios ligados à alimentação, as cirurgias plásticas, a pornografia e a necessidade artificialmente provocada de corresponder a um modelo idealizado de mulher, em que a velhice e a obesidade, mais do que pecados, são motivos para a estigmatização.”⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

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Será que a prescrição dietética é o único caminho que existe? Não é à toa que de uns anos para cá, muito se vem discutindo a respeito da necessidade da transformação e incorporação de novos modos de cuidado pelo nutricionista.⁠ Isso porque a dieta pode ser calculada da forma mais perfeita possível, mas dificilmente irá promover mudanças de comportamento, além de retirar a autonomia dos indivíduos. A realidade é que as pessoas já estão cansadas de ouvirem o que devem ou não comer!

Essa conduta prescritiva faz com que olhemos mais para a doença do que para a saúde, utilizando a comida como medicamento para curar dificuldades. Além disso, nos afasta da escuta do sofrimento e da subjetividade dos sujeitos, uma vez que ficamos ali, falsamente resguardados por um papel e um cálculo. Por que será que na faculdade de nutrição se foca tanto nos aspectos biológicos, clínicos e sócio-políticos da alimentação, e deixamos de lado os aspectos individuais, as subjetividades e a escuta do sofrimento?⁠

Necessitamos considerar e validar os sentimentos, experiências, valores, crenças, afetos, vivências, subjetividades, cultura, e aspectos cognitivos dos indivíduos. ⁠Por isso, é muito importante que a gente possa repensar o que entendemos por saúde, valorizar e acolher mais o nosso sofrimento, problematizar os padrões de beleza, refletir sobre o comportamento alimentar e entender que peso é um número que não significa nada. Assim podemos começar a melhorar as relações com o corpo e a comida, focar em melhorar a nossa saúde de forma integral e aprender a respeitar todos os tipos de corpo.

Pensando em todas essas consequências, chega a ser assustador pensar em como isso não é discutido e em como as dietas para emagrecimento são recomendadas, inclusive por profissionais de saúde. Precisamos ampliar essas discussões e promover um cuidado em saúde mais responsável, embasado e cauteloso. ⁠



Referências:

ALVARENGA, Marle et. al. Nutrição Comportamental. 2019. São Paulo: Editora Manole (2ª ed.)

WOLF, Naomi. O mito da Beleza. 2018. Editora Rosa dos Tempos.


Crédito das Imagens:

Imagens adaptadas do Freepik.











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