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Você já ouviu falar sobre o Guia Alimentar para a População Brasileira?

Atualizado: Jul 28

As diversas transformações sociais, culturais, econômicas e políticas influenciaram não só na forma com que produzimos e nos relacionamos com os alimentos, mas também com a maior prevalência de doenças crônicas não transmissíveis na população em geral. Assim, a Organização Mundial de Saúde (OMS) propôs como recomendação, que os países fornecessem informações aos indivíduos, promovendo a autonomia e a adoção de escolhas alimentares mais saudáveis.

Desta maneira, em 2006, o Ministério da Saúde publicou o Guia Alimentar para a População Brasileira, que continha as primeiras diretrizes alimentares para a população, baseadas no consumo de porções de grupos alimentares e na utilização da pirâmide alimentar.

A pirâmide alimentar já é uma velha conhecida por todos, e ainda muito utilizada por alguns profissionais de saúde. Mas quais são as implicações em sua utilização?

Ela não só desconsidera os aspectos sociais, psíquicos, econômicos, culturais e políticos dos alimentos, como também agrupa num grande bloco, alimentos que são muito diferentes entre si. No grupo dos carboidratos, por exemplo, é estranho pensar que o miojo e a mandioca estão juntos, ou que no grupo dos açúcares, a cocada, um alimento tão cultural, está junto de uma balinha artificial de morango. E a batata ou milho por exemplo? Entrariam no grupo do carboidrato ou dos vegetais?

Como nos mostra os trecho abaixo, retirado do artigo do Joio e o Trigo (2018), algumas pesquisas mostraram que a pirâmide apresenta muitas dificuldades de interpretação pelos leitores:

Chile, 2003 - “Um levantamento com 898 consumidores deixou claro que algumas pessoas pensavam que os alimentos do topo eram os prioritários, e que os da base deveriam ser evitados.”


Estados Unidos, 2002 a 2004 - “Pesquisadores foram convocados pelo USDA para avaliar a eficácia da pirâmide. Realizaram 18 grupos focais, que são entrevistas em conjunto voltadas a uma análise qualitativa. Apresentados à pirâmide, 80% dos participantes erraram ao menos um dos grupos de alimentos – 12% erraram tudo. As pessoas tampouco entendiam o conceito de “porção”, e no geral chutavam quantidades maiores que as da recomendação oficial.”

Posteriormente, o Guia foi reformulado com a participação de diversos setores da sociedade, que lançaram em 2014, a sua segunda edição. Este novo Guia apresenta alguns princípios que nortearam a sua formulação, dentre eles, a concepção de que a alimentação não pode ser entendida como uma ingestão de nutrientes; que para ser saudável, necessita estar relacionada a um sistema de produção socialmente e ambientalmente sustentável; que leve em conta saberes tradicionais e culturais; e que gere autonomia para os indivíduos, promovendo relações sociais, econômicas políticas e culturais de forma mais justa.

Além disso, ao contrário do antigo Guia, a sua nova versão passou a agrupar os alimentos em 4 grupos, de acordo com o seu nível de processamento:

  • in natura ou minimamente processados;

  • óleos, gorduras, açúcar e sal;

  • processados;

  • ultraprocessados.

Vamos entender um pouquinho mais sobre estes termos e simplificar nossas vidas na hora de realizar as nossas escolhas alimentares?

Alimentos in natura ou minimamente processados

Os alimentos in natura são aqueles obtidos diretamente de plantas ou animais (folhas, frutos e ovos) e que para serem consumidos, não sofrem qualquer alteração ou processamento. Já os alimentos minimamente processados são aqueles in natura que sofreram alterações mínimas, como remoção de partes não comestíveis, secagem (arroz, milho, feijões), moagem (farinhas), lavagem (vegetais e frutas), corte, resfriamento ou congelamento (carnes e vegetais), pasteurização (leite) e fermentação (iogurte, coalhada). Estes alimentos não sofrem adição de sal, açúcar, óleos, gorduras ou outras substâncias.

Precisamos torná-los a base de nossa alimentação para que ela se dê de forma saudável. Além disso, os mesmos são utilizados em preparações que valorizam a nossa cultura alimentar, além de estimularem, principalmente no caso das frutas, verduras e cereais, a agricultura familiar, uma forma mais justa e ambientalmente sustentável de produção.

Óleos, gorduras, sal e açúcar

Os óleos vegetais (girassol, soja, canola, azeite de oliva), gorduras (manteiga, gordura de coco, banha de porco), o sal e o açúcar são produtos produzidos pela indústria, extraídos e derivados dos alimentos in natura. Utilizados com moderação, contribuem para temperar e tornar as nossas preparações mais saborosas.

Alimentos processados

Os alimentos processados são produtos fabricados a partir de alimentos in natura ou minimamente processados, e que sofrem adição de sal, açúcar, vinagre ou óleo. São exemplos os legumes em conserva, frutas em calda, geléias, queijos, pães, carnes salgadas ou em conserva de óleo. Os alimentos processados passam por um processamento relativamente simples, como o cozimento, secagem, fermentação, salga, salmoura, cura, defumação, acondicionamento em latas ou vidros.

Recomenda-se que o consumo de alimentos processados seja feito em pequenas quantidades, como ingredientes de preparações culinárias, ou como parte de refeições baseadas em alimentos in natura ou minimamente processados.

Alimentos ultraprocessados

Os alimentos ultraprocessados são aqueles que passam por diversas etapas e técnicas de processamento e sofrem adição de vários ingredientes, muitos deles de uso exclusivamente industrial. Inclui alimentos como refrigerantes, biscoitos, macarrão instantâneo, temperos prontos, cereais matinais, barras de cereal, pães (que contém outros ingredientes além de farinha, levedura, água e sal), sorvetes, balas, massas congeladas, nuggets, etc.

Estes alimentos devem ser evitados, pois são nutricionalmente desbalanceados, uma vez que são pobres em fibras, vitaminas e minerais, com excesso de açúcares e sódio. Eles também são adicionados de aditivos alimentares, ou seja, substâncias utilizadas para dar cor, sabor, aroma e textura, na tentativa de deixá-los mais atrativos.

Além disso, atrapalham a nossa percepção de fome e saciedade, e devido ao baixo custo, são oferecidos em porções gigantes. Por fim, ocasionam prejuízos culturais, sociais e ambientais, uma vez que o seu consumo é incentivado por uma indústria bilionária, que tenta nos afastar da nossa cultura alimentar, do comer com atenção plena, além de estimula monoculturas alimentares com utilização de agrotóxicos, e aumentar a produção de lixo pelas embalagens utilizadas.

Para diferenciar um alimento ultraprocessado de um processado, é importante consultar a lista de ingredientes. Se tiver muitos ingredientes (em geral mais do que 4 ingredientes) e tiver vários nomes ou siglas que você não consegue reconhecer como alimento, ele é um alimento ultraprocessado.


O Guia traz ainda, recomendações que podem nos auxiliar a superar obstáculos que nos impedem de ter uma alimentação mais saudável, dentre eles:


Informação

O Guia nos explica como podemos acessar informações de saúde de maneira confiável e segura, evitando aquelas que valorizam as dietas milagrosas e os “superalimentos”.


Oferta

Uma vez que os alimentos ultraprocessados são encontrados em todo lugar, de maneira muito fácil e prática, o Guia nos mostra locais e formas de acessarmos os alimentos in natura e minimamente processados de maneira mais acessível e sustentável. Uma iniciativa que pode te auxiliar a encontrar as feiras mais próximas da sua casa é por meio da ferramenta “Mapa de Feiras Orgânicas”, desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC). Basta acessar esse link: https://feirasorganicas.org.br/comidadeverdade


Custo

Nesse ponto, é desmistificado o senso comum de que “alimentação saudável precisa ser cara.” Respeitar a sazonalidade dos alimentos, comprar em feiras e sacolões são algumas das orientações que ele nos traz. Além disso, valorizar preparações que respeitem a nossa cultura alimentar também faz parte de uma alimentação saudável, até porque o nosso arroz com feijão já é incrível por si só, sem que precisemos de chia, linhaça, goji berry ou óleo de coco, que são extremamente caros, não acessíveis, e vendidos como “milagrosos”.


Habilidades culinárias

O hábito de cozinhar tem diminuído cada vez, e isso implica numa maior dependência e consumo de alimentos ultraprocessados. Que tal desenvolver suas habilidades culinárias? Vamos valorizar mais o cozinhar?


Tempo

Para termos uma alimentação saudável, precisamos dedicar uma parte de nosso tempo para organizar a nossa rotina e as nossas refeições. Mas com ajuda, isso pode se tornar algo mais fácil e prazeroso!


Publicidade

Um dos grandes aliados para o estímulo do consumo de ultraprocessados é a publicidade de alimentos, em que vários recursos são utilizados, desde o design das embalagens, propagandas nas mídias sociais, descontos e promoções, entrega de brindes, parceria com pessoas famosas, e produção de eventos. Que tal nos tornarmos mais críticos quanto à essa questão?



E que tal assistir à esse vídeo sobre os “10 passos para uma alimentação saudável” que o Guia traz? Ele resume de maneira ilustrativa e didática, todas as recomendações e orientações.



Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. 156 p.

O JOIO E O TRIGO. Após 26 Anos De Trabalho, Pirâmide Dos Alimentos Não Quer Se Aposentar. 6 de agosto de 2018. Disponível em: https://outraspalavras.net/ojoioeotrigo/2018/08/apos-26-anos-de-trabalho-piramide-dos-alimentos-nao-quer-se-aposentar/


Créditos da imagem

Freepik








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